segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Crianças Indigo

A criança tem “excesso de energia”? “Não aceita a autoridade”? “Tem dificuldade em se concentrar”?”Tem mudanças repentinas de humor”? 

Um psicólogo ou psiquiatra tradicional pensaria na “possibilidade de ter uma perturbação de hiperatividade”. Mas na verdade não é isso que diz uma nova corrente da “nova era” criada pelos americanos Lee Carrol e Jan Tobler. Essas crianças são crianças índigo e têm até auras azuladas (da cor índigo). Vieram para nos salvar e promover a nossa evolução. Não precisam ser educadas, apenas amadas, respeitadas e tratadas com reverência pelos pais. 


O termo “Criança Índigo” foi criado por Nancy Ann Tappe, uma psíquica vidente que classificou as pessoas segundo a cor de sua aura, num livro de 1982. Segundo Nancy, essas crianças do próximo milênio são almas sensíveis com uma consciência evoluída que vieram para o nosso planeta para nos ajudar, mudando as vibrações das nossas vidas e criando uma nova Terra e uma nova espécie. Elas são a nossa ponte para o nosso futuro”.

Os defensores da existência destas crianças dizem que muitas crianças diagnosticas com a desordem de déficit de atenção são afinal índigo e que representam uma nova evolução da espécie humana e que, portanto, não precisam de nenhuma medicação ou tratamento.
As crianças índigo são reconhecidas pela sua aura azul indigo e por algumas características como:
1º) Elas vêm ao mundo com um sentimento de realeza e freqüentemente agem desta forma; 
2º) Elas têm um sentimento de "desejar estar aqui" e ficam surpresas quando os outros não compartilham isso; 
3º) Elas têm dificuldades com autoridade absoluta sem explicações e escolha; 
4º) Elas simplesmente não farão certas coisas; por exemplo, esperarem quietas é difícil para elas; 
5º) Elas se tornam frustradas com sistemas ritualmente orientados e que não necessitam de pensamento criativo; 
6º) Elas freqüentemente encontram uma melhor maneira de fazer as coisas, tanto em casa como na escola, o que as fazem parecer como questionadores de sistema (inconformistas com qualquer sistema); 
7º) Elas parecem anti-sociais a menos que estejam com outras do mesmo tipo. Se não existem outras crianças com o nível de consciência semelhante em volta, elas freqüentemente se tornam introvertidas, sentindo-se como se ninguém as entendesse. A escola é freqüentemente difícil para elas do ponto de vista social; 
8º) Elas não responderão à pressão por culpa do tipo: "Espere até seu pai chegar e descobrir o que você fez"; 
9º) Elas não são tímidas em fazer você perceber o que elas precisam.

Mas, muitas dessas características são perfeitamente normais e encontradas em qualquer criança, mesmo as não consideradas índigo: 
1º) Muitas crianças acham-se reis, rainhas ou princesas e comportam-se como tal (porque os pais alimentam e permitem esse comportamento); 
2º) As crianças, até por fatores normais de desenvolvimento, julgam que o mundo gira à volta delas (todos fomos crianças e já experimentamos isso); 
3º) Qualquer criança ou adulto tem dificuldades em aceitar ordens absolutas sem explicação;
4º) Para qualquer criança, esperar alguma coisa em qualquer lugar é algo complicado (também passamos por isso);
5º) Quando qualquer criança se encontra num ambiente novo, desconhecido, e sem ninguém que ela conheça, inclusive seus habituais amigos, é comum que se comporte de uma forma mais retraída e tímida, como o convívio na escola, por exemplo, que pelo menos no inicio, não é fácil para todos e existem ainda outros fatores que podem originar este comportamento; 
6º) A pressão por culpa, dependendo da idade, convém até que exista, porque é um sentimento normal que impõe limites à educação da criança. Uma criança que não respeita limites, no caso não reconhece a autoridade de ninguém;
7º) Qualquer criança sabe se expressar quando quer alguma coisa, mas depende dos pais dar o limite da forma como se expressam.
Resumindo, as características de uma criança índigo são muito amplas e vagas, como se fosse um horóscopo, em que cada um consegue se encaixar.

Na verdade, muitas das habilidades superiores atribuídas às crianças índigo resultam de uma melhor alimentação, o que permite um desenvolvimento orgânico mais completo, além disso as crianças do mundo moderno estão sujeitas a uma grande, variada e precoce exposição a diversos estímulos intelectuais tais como computador, televisão, rádio, revistas, etc. É fácil então concluir que toda essa onda das crianças índigo criada por essa Seita da Nova Era carece completamente de investigação científica e deve ser tomada como infundada ou pseudo-científica. Muitas dessas crianças classificadas pela sua descrição como índigos, na verdade se enquadram dentro de uma condição de Desordem Hiperativa do Déficit de Atenção (attention deficit hyperactivity disorder - ADHD) ou de Desordem do Déficit de Atenção (attention deficit disorder - ADD) , bastante estudadas pela medicina, inclusive com vários estudos publicados em revistas especializadas.

Mas, como nunca é fácil para um pai saber que o seu filho tem problemas de comportamento, é muito mais fácil acreditar que a criança é “especial” e que tem um “tarefa” a desempenhar no mundo. Muitos podem se iludir com o orgulho de ter um filho de aura azul, predestinado a mudar o mundo, um mutante genético. O problema é que agindo dessa forma, os pais podem estar prejudicando essa criança e negando ou retardando a necessidade de apoio especializado e científico, baseando-se somente numa crença sem qualquer tipo de validade. Quando os pais não aceitam que seu filho é problemático, estão prejudicando-o mais ainda. O amor é indispensável na educação familiar, mas também são essenciais a disciplina, o respeito, o estabelecimento de limites. A sociedade, quer queiramos ou não, tem regras e hierarquias. É muito mais cômodo acreditar que um filho é uma criança índigo e não uma criança com um problema de hiperatividade. A questão está na responsabilidade que os pais assumem quando decidem acreditar numa coisa ou outra. Ou nessa nova onda que pode criar monstrinhos que se julguem acima do bem e do mal, sem a mínima noção de como conviver com o próximo... ou nos médicos, na medicina e na ciência.

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