domingo, 11 de janeiro de 2009

Circo sem graça

Motivados por denúncias de maus tratos, ambientalistas querem aprovar um projeto de lei que proíba o uso de animais em espetáculos. A questão é tão polêmica que alguns circos que aderiram por contra própria à restrição sofrem ameaças de outros membros da classe.

No picadeiro, leões e tigres pulam com destreza uma argola em chamas. Um chimpanzé anda na bicicleta, e um elefante equilibra-se com agilidade sobre o banquinho. As crianças riem e os pais ficam satisfeitos com o espetáculo. O que essas pessoas não sabem, contudo, é que o tigre e o leão tiveram suas garras e presas arrancadas, para se tornar menos perigosos, passam fome e contraíram aids felina depois de ser alimentados com carne de gatos de rua. Que o macaco foi totalmente castrado, teve os dentes arrancados e os olhos cegados para se submeter ao treinador. E que o elefante, para aprender a equilibrar-se no banco, foi espancado, agredido com uma lança e passou dias amarrado pelas patas, sem poder se mexer. As cenas descritas são comuns em muitos circos do Brasil e do mundo e despertam a preocupação de ambientalistas, que mobilizaram a população e o poder público para aprovar uma lei federal que proíba o uso de bichos nos espetáculos. Os donos de circo temem que a nova legislação prejudique seu trabalho e afirmam que os circos tradicionais preocupam-se com o bem-estar e a saúde de seus animais. Mas todos nós sabemos que nenhum animal pode ser feliz longe do seu habitat natural, sofrem muito nas viagens, não têm um espaço adequado, etc... logo é uma tremenda hipocrisia afirmar isso. Na verdade, o que está em jogo é o dinheiro, a ganância, pois um circo sem animais é obrigado a investir muito mais na estrutura do espetáculo, contratando novos funcionários e artistas. É muito mais fácil ter quem trabalhe de graça, quem não gosta?

As pessoas que gostam de freqüentar circos muitas vezes não sabem o que acontece por trás do picadeiro:
1) Quando o circo se instala em um local, os animais passam a viver em gaiolas apertadas que muitas vezes não respeitam suas necessidades físicas;

2) Muitos animais não são alimentados adequadamente;

3) Existem casos de leões que pegaram AIDS felina, pois eram alimentados com gatos de rua;

4) Já os felinos como tigres e onças são animais noturnos que gostam de privacidade, mas ficam expostos aos olhares curiosos;

5) As cadeias alimentares dos animais também são ignoradas, e predadores e presas vivem em gaiolas próximas, numa situação de stress permanente;

6) Para tornar os animais menos perigosos, muitos circos arrancam suas presas e garras, efetuam a castração e em casos extremos cegam os animais;

7) Elefantes precisariam caminhar diversos quilômetros por dia, mas ficam acorrentados pelas patas, sem poder dar um passo;

8) Existem relatos de maus tratos e torturas por parte dos adestradores, que ensinam os animais por meio de castigos e não recompensas.

O ser humano é a pior espécie sobre o planeta. É a única que não preserva seu prórpio habitat e sua própria raça, criando ainda mecanismos para se eleger como o  mais importante de toda a Criação. Incapaz de ser o guardião de sua própria casa, o egoísmo, ganância, falta de espiritualidade,  impede-lhe de entender as maravilhas da natureza à sua volta e a grandiosidade do universo...

Foto: Elefante chorando (Emagazine)
"Nos elefantes, a estrutura cerebral responsável pelas emoções é enorme e complexa."  ( Marc Bekoff )

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