sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Por que as pessoas mentem?

O interesse despertado pelo caso Paula Oliveira tem a ver com a consciência da importância da mentira em nossa vida. A ciência ajuda a entender o que nos leva a enganar os outros – e a nós mesmos. “A mentira é muitas vezes tão involuntária como a transpiração”, constata Bentinho, em Dom Casmurro, ao surpreender a si próprio escondendo da mãe o amor por Capitu. 

Como de costume, Machado de Assis retrata uma verdade: mentimos o tempo todo, até sem perceber. Mentimos sobre nossa altura, nosso peso, nossa idade. Mentimos para nós mesmos, para suportar um recalque. Mentimos para nossos pais, para tranquilizá-los, e para nossos filhos, para que não sofram. Mentimos para os amigos, para não lhes ferir a autoestima, e para o chefe, para justificar um atraso. Mentimos para o guarda, para não tomar uma multa, e para o Fisco, para pagar menos impostos. Atletas mentem para competir dopados, investigadores mentem para apanhar criminosos, políticos mentem... por vários motivos. Há mentiras inofensivas; outras mudam a vida de pessoas e até provocam guerras. O fascínio despertado pelo caso de Paula Oliveira, acusada de inventar um ataque neonazista na Suíça, se deve em parte a isso – à consciência do poder da mentira em nossa vida.

O francês Frédéric Bourdin que é considerado um dos maiores mentirosos de todos os tempos, ganhou o apelido de "Camaleão" por ter assumido 39 identidades em 15 países. Ele conseguia se passar por crianças e adolescentes, mesmo já trintão. Seus disfarces enganavam médicos e policiais. Curiosamente, Bourdin nunca buscou lucro com suas fraudes.

Isso prova que a mentira pode ser explicada pela ciência e considerada até uma patologia, dependendo da sua intensidade e os fatores e consequências que provocam. O hábito de mentir compulsivamente pode ter como causas mais frequentes:

1) A baixa tolerância às frustrações e a necessidade de fazer com que todos dirijam a sua atenção para eles próprios;

2) O desejo de chamar a atenção, seduzir e ser valorizado;

3) Enquanto na mentira comum há um objetivo, um propósito de enganar para obter vantagem, na mentira patológica (doença), não há;

4) Uma outra teoria científica já admite haver anormalidades no sistema nervoso central nos mentirosos compulsivos.

Foto: O francês Frédéric Bourdin (o Camaleão).

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2 comentários:

elzenz disse...

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Regards from jakarta, link exChange ??

sarah azharre disse...

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